40 something photos from 365 days with a camera spinning inside my head, looking for a word that sums it all. Grace.
Edit [2024]
40 something photos from 365 days with a camera spinning inside my head, looking for a word that sums it all. Grace.
40 something photos from 365 days with a camera spinning inside my head, looking for a word that sums it all. Grace.
Se fosse possível resumir uma objectiva a números, a Canon RF800 f11 seria mais ou menos isto: 800mm, 1260g, 1000€, 281/351mm (comprimento máximo fechada/aberta). Resumindo: é leve, pequena, tem um alcance muito acima do normal e o preço tem menos um zero que outros modelos com o mesmo alcance. Compromissos? Alguns, mas significativo só mesmo um: não há escolhas de diafragmas, temos f11 e é da forma que ninguém fica indeciso nesse ponto. Tendo em conta que com as câmaras mais recentes, conseguimos fotografar a Iso 6400 sem qualquer problema, até esse compromisso do f11 é relativo, dependendo muito do que e como pretendemos fotografar.
Pela minha parte, estava curioso relativamente ao auto-foco e qualidade de imagem e não estou a ver melhor local para um teste do que a Nazaré com as suas ondas gigantes e condições no mínimo desafiantes para qualquer fotógrafo, já que tudo acontece a uma velocidade alucinante, de forma inesperada e há sempre imensa água no ar (o spray libertado pelo rebentar das ondas) que acaba por ser um teste permanente à capacidade do auto-foco.
Ficam algumas imagens e a minha impressão sobre três dias a fotografar com esta objectiva: quero uma!
A partir de terra ou barco com recurso a uma teleobjectiva, do ar com um drone ou na água utilizando uma caixa estanque, este é realmente o estúdio fotográfico perfeito para fotógrafos de surf, como podem verificar pelas imagens na galeria
Foi há um ano, mas coisa menos coisa, que a Leonor entrou em contacto comigo. Queria usar parte do valor que os seus patrocinadores lhe davam anualmente, para investir na sua imagem e alcançar mais e melhor visibilidade nas redes sociais, numa lógica de se valorizar a médio/longo prazo. Pareceu-me um bom plano e uma lufada de ar fresco por comparação com o pedido tantas (demasiadas) vezes ouvido: “Não me arranjas umas fotos? É só para o insta!”
Resolvemos então experimentar um novo modelo de trabalho: em vez de esperarmos pelas condições ideais para fotografamos num determinado dia, acordámos um conjunto de dez sessões, sem um prazo definido. Podíamos fazer 2 sessões num dia só, ou uma sessão por mês…o que fosse, seria em função das disponibilidades de cada um e, claro, da de Neptuno e de São Pedro. Trabalhando assim, ganhámos algo muito valioso: tempo para nos conhecermos. Bem sei (e percebo) que a pressa e o imediatismo estão in, mas eu continuo a acreditar que o tempo que dedicamos a quem nos rodeia ou, no caso, a quem fotografamos, faz toda a diferença para o resultado final. Não sendo nem eu nem a Leonor marcianos, fomos gerindo o processo como seres humanos do século XXI: à medida que as imagens aconteciam, partilhávamos nas nossas redes sociais. Mas foi graças ao luxo do tempo, que percebi que a Leonor tem planos bem definidos para a sua vida. Foi também sem amarras aos ponteiros do relógio, que descobri que por trás de uma certa reserva - talvez timidez - há um sorriso que de vez em quando escorrega cá para fora. Foi nos tempos mortos, enquanto esperávamos pela maré e partilhámos um almoço no areal de Santa Rita, que demos espaço para que aquela praia nos recompensasse umas horas depois com um pôr-do-sol digno de uma planície africana. Foi também por termos tempo (das poucas coisas que vale realmente a pena ter) que fui percebendo o ritmo do seu surf e ela foi compreendendo as minhas divagações fotográficas. Agora, quase a finalizar este processo, ficam as memórias de dias bem passados.
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“The best camera is the one you have with you.” é uma frase bonita mas onde um fotógrafo tem dificuldade em colocar um ponto final. Talvez fizesse mais sentido com uns parênteses onde se pudesse incluir a câmara dos nossos sonhos. Para mim seria uma câmara leve e pequena, que fizesse sequências de pelo menos 12fps, com resolução suficiente para que a questão da falta da mesma não se colocasse e com um sistema de focagem rápido e preciso. Essa sim, seria então a minha melhor câmara. Porquê?
1) Dimensões: uma câmara leve e compacta vai estar quase sempre comigo, seja em trabalho ou em lazer, por oposição a uma câmara grande e pesada.
2) Velocidade: 10 a 12 frames por segundo é o que considero como mínimo para fotografar ondas e surf dentro de água. É perfeitamente possível fazê-lo até sem sequências, mas para trabalho profissional quero garantir que tenho “O” momento.
3) Resolução: 20 milhões de pixels de resolução chega e sobra para uma boa parte dos trabalhos que vão surgindo, mas se posso ter o dobro da qualidade que me permite - por exemplo -vender prints de grandes dimensões para decoração de interiores, então why not? Yes please!
4) Auto-foco: Claro que para alguns tipos de fotografia (produto, paisagem, etc) o auto-foco não é um factor a ter em conta, mas para quem fotografa desporto e natureza, muitas vezes é a diferença entre termos a fotografia ou não. Por isso, para mim, a qualidade do auto-foco é um factor decisivo.
Não sendo habitual escrever sobre temas tão técnicos, desta vez não podia ser de outra forma, porque a Canon lançou recentemente a câmara que, há uns anos, disse-me um professor de fotografia digital, “não existe nem vai existir”. O senhor felizmente estava errado. São 20 frames por segundo, 45 milhões de pixels, um auto-foco de sonho e tudo isto numa estrutura compacta e leve. Melhor ainda, as minhas objectivas EF funcionam na perfeição, não me obrigando a fazer já o investimento extra nas novas objectivas da série RF. Esta maravilha tecnológica chama-se Canon EOS R5 e a primeira vez que ouvi falar dela, percebi que o assunto era sério e merecia um mergulho (literal e figurado) no tema. Entre estruturar o projecto, emails e telefonemas, ter o ok da Canon Portugal e da Wave Solutions Waterhousings para trabalharmos em direcção à primeira caixa estanque (para fotografia de surf) a nível mundial para a R5 e conseguirmos as primeiras imagens, foi um passo com milhares de passos pelo meio, mas percorria-os todos outra vez sem pensar duas vezes. Sem pensar, até.
Claro que há muito mais para contar e a seu tempo lá iremos, mas para não tornar este post demasiado longo, vou fazer um fast forward e dizer que a câmara não só não desiludiu, como até surpreendeu, superando todas as minhas expectativas, especialmente na velocidade do auto-foco e na qualidade dos ficheiros. O trabalho do Nuno Cardoso da Wave Solutions, como habitualmente, é de uma qualidade irrepreensível. A nova caixa tem uns acabamentos ainda melhores que as anteriores, comandos que permitem aceder a todas as funções e, tal como a R5, peso e dimensões reduzidas que facilitam e muito o trabalho dentro de água.
Com o Outono aí à porta, não vão faltar oportunidades para continuar a explorar as potencialidades da R5 na água e em terra com as novas RF 100-500mm e a RF 800mm, mas para já ficam as imagens de uma manhã de Verão na companhia do Diogo Appleton e um obrigado à Canon Portugal pela oportunidade.
O ponto de partida: uma fotografia que tirei a um ilustre desconhecido no Chile em 2013 e que chamou a atenção do realizador do documentário “Saca - O filme de Tiago Pires” que me pediu para tentar reproduzir a mesma situação na costa portuguesa, mas desta vez com o Tiago como modelo.
Claro que a fotografia original não era só mais uma (nunca são) e que a forma como foi captada implicava uma série de condições difíceis de reproduzir noutro tempo e noutro local. Afinal, é mesmo essa a magia da fotografia: permitir reviver o que já não se repete. Sabendo tudo isto de antemão e estando a par da descontração habitual do realizador carioca Júlio Adler perante as pedras no caminho, procurei uma praia onde pudesse reunir condições tão próximas quanto possível do local da primeira imagem. A saber:
1) Areal com uma inclinação inversa ao habitual, ou seja, estando a fotografar no sentido terra - mar, ficar num plano inferior ao do surfista a caminhar à beira-mar.
2) Contra luz directo a partir do meio da tarde - pretendia-se uma silhueta do surfista com o sol a entrar no enquadramento.
3) Praia perto de Lisboa que estivesse quase deserta num dia solarengo de Primavera e com areia lisa sem pegadas, para evitar despesas de pós-produção.
A juntar a estes requisitos, seria preciso ainda conjugar as agendas de todos os envolvidos - Tiago Pires, Júlio Adler, Isabel Corte-Real, Pedro Falcão e Ricardo Capristano.
Depois de analisadas várias hipóteses, acabei por escolher o Guincho, onde consegui uma zona de areal com a inclinação certa, o sol no ângulo mais adequado e uma praia deserta graças ao intenso vento gelado de norte tão característica desta praia, que serviu ainda para adicionar algum drama às imagens captadas, e alguns momentos de desespero para quem estava a tentar manter as câmaras estáveis e as objectivas limpas…